A OpenAI, empresa que revolucionou o mundo com o ChatGPT, não para de crescer. Em um movimento que pegou muita gente de surpresa, a gigante da inteligência artificial anunciou a aquisição do Roi, um aplicativo de finanças pessoais que usava uma IA para dar conselhos de investimento personalizados.
A notícia chega em um momento agitado para a empresa, que recentemente fez outras aquisições estratégicas, mostrando que seus planos vão muito além de um simples chatbot.
Mas o que a criadora do ChatGPT quer com uma IA de investimentos? Seria um sinal de que, no futuro, poderemos pedir dicas de ações diretamente para o nosso assistente virtual?
Essa aquisição não é um movimento isolado e nos dá pistas importantes sobre a grande aposta da OpenAI para o futuro da tecnologia: a personalização extrema.
Vamos desvendar os detalhes dessa negociação e explorar o que ela representa para o futuro dos assistentes de IA e, quem sabe, para o seu bolso.
Conheça o Roi: o app que chamou a atenção da OpenAI
Para entender a importância dessa compra, primeiro precisamos saber quem é o Roi. Fundado em 2022 em Nova York, o Roi (pronuncia-se “roy”, uma abreviação para “retorno sobre o investimento”) não era apenas mais um aplicativo para acompanhar a bolsa de valores. Sua grande sacada era ser uma espécie de “companheiro financeiro” com inteligência artificial.
O aplicativo permitia que os usuários conectassem todas as suas contas de investimento em um só lugar: ações, criptomoedas, imóveis e até NFTs.
A partir daí, uma IA analisava seu portfólio e oferecia insights e conselhos em tempo real. Mas o diferencial matador do Roi era a sua capacidade de personalização.
Ao se cadastrar, você podia “ensinar” a IA como você queria que ela falasse com você. Em um exemplo divulgado pela própria startup, um usuário pedia:
“Fale comigo como se eu fosse um jovem da Geração Z com o cérebro derretido. Use o mínimo de palavras possível e pode me zoar à vontade”.
A resposta da IA para uma queda na carteira do usuário foi hilária e direta:
“Suje, você foi destruído, mano. Por causa dos anúncios de tarifas, você tomou um prejuízo de $32.459,12 hoje… Com base no seu perfil de risco, essa pode ser uma oportunidade de comprar na baixa”.
Essa capacidade de criar um diálogo único e adaptado ao estilo de cada pessoa é exatamente o que a OpenAI parece estar buscando.
Uma aquisição de talentos, não de tecnologia
Um detalhe curioso sobre o negócio é que a OpenAI não está necessariamente comprando a tecnologia ou o aplicativo do Roi, que inclusive encerrará suas atividades para os usuários no dia 15 de outubro.
Na verdade, essa foi uma “acqui-hire”, um termo em inglês para uma aquisição focada em contratar os talentos por trás do projeto.
Dos quatro membros da equipe do Roi, apenas o CEO e cofundador, Sujith Vishwajith, se juntará à OpenAI. Vishwajith, que já trabalhou no Airbnb otimizando a experiência do usuário, celebrou o negócio em uma postagem na rede social X (antigo Twitter):
“Nós começamos o Roi há 3 anos para tornar o investimento acessível a todos, construindo a experiência financeira mais personalizada. Ao longo do caminho, percebemos que a personalização não é apenas o futuro das finanças. É o futuro de todo software”.
Essa frase é a chave para entender toda a estratégia. A OpenAI não quer, necessariamente, entrar no mercado de IA de investimentos. Ela quer o cérebro de quem conseguiu criar uma experiência de IA tão profundamente pessoal e engajadora.
O grande plano da OpenAI: a era dos “companheiros de IA”
A compra do Roi não é um fato isolado. Ela faz parte de uma série de aquisições recentes que mostram a OpenAI construindo um time de especialistas em aplicações para o consumidor final.
A empresa quer deixar de ser vista apenas como uma fornecedora de tecnologia para outras empresas e passar a criar seus próprios aplicativos e experiências incríveis para o usuário comum.
A visão da OpenAI parece se alinhar com a do time do Roi: os produtos que usamos todos os dias deixarão de ser estáticos e iguais para todo mundo.
Eles se tornarão “companheiros” adaptáveis, que nos entendem, aprendem conosco e evoluem com a gente.
Imagine um ChatGPT que não apenas responde às suas perguntas, mas que conhece suas preferências, seu estilo de comunicação, seus objetivos de vida e se antecipa às suas necessidades.
Um assistente que pode te ajudar a planejar suas férias, organizar sua agenda, e sim, talvez até a entender melhor seus investimentos, tudo isso falando a sua língua, seja ela formal ou cheia de gírias.
Esse futuro já está sendo construído. A OpenAI tem trabalhado em projetos como o “Pulse”, que gera relatórios de notícias personalizados enquanto você dorme, e o “Instant Checkout”, que permite fazer compras diretamente pelo ChatGPT.
A experiência de Sujith Vishwajith em criar um assistente financeiro pessoal pode ser aplicada a todas essas áreas, tornando cada interação com a IA mais humana e útil.

O que esperar para o futuro?
É pouco provável que vejamos um “ChatGPT Investimentos” sendo lançado amanhã. O movimento da OpenAI é mais sutil e de longo prazo. A expertise trazida pela equipe do Roi será, muito provavelmente, integrada ao núcleo dos futuros produtos da empresa.
O objetivo é claro: fazer com que a interação com a inteligência artificial seja tão natural e pessoal quanto conversar com um amigo. Um amigo extremamente inteligente e capaz, mas que te entende e fala a sua língua.
A aquisição de uma IA de investimentos como o Roi é apenas mais um passo nessa jornada fascinante. A OpenAI não quer apenas construir a IA mais poderosa; ela quer construir a IA que melhor te conhece. E essa, sem dúvida, é uma aposta de bilhões de dólares.






