OpenAI, a empresa que nos deu o ChatGPT e mudou nossa relação com a inteligência artificial, atacou novamente. Desta vez, o alvo é o universo dos vídeos.

Seu novo aplicativo, chamado Sora, mal foi lançado e já se tornou um sucesso estrondoso, quebrando recordes e gerando tanto fascínio quanto polêmica.

Imagine um feed infinito de vídeos, como no TikTok, mas com uma diferença crucial: nada do que você vê ali foi gravado por uma pessoa. Tudo é criado por uma inteligência artificial a partir de simples comandos de texto.

Essa é a premissa do Sora, um aplicativo que não é apenas uma ferramenta, mas também uma nova rede social baseada em conteúdo 100% sintético.

O lançamento foi tão explosivo que, em menos de cinco dias, o aplicativo já havia sido baixado mais de um milhão de vezes, superando a marca de lançamento do próprio app do ChatGPT.

E o mais impressionante: ele conseguiu isso mesmo sendo um aplicativo exclusivo para convidados e disponível apenas na América do Norte.

O que faz do Sora um fenômeno tão grande? Como ele funciona? E quais são os perigos que uma tecnologia tão poderosa traz consigo? Vamos mergulhar no aplicativo que promete ser a próxima grande revolução da OpenAI.

O que é o Sora? Um “TikTok” de inteligência artificial

A melhor maneira de entender o Sora é pensar nele como uma fusão entre o ChatGPT e o TikTok. Ele oferece uma experiência de “feed infinito” vertical, onde você pode rolar e assistir a vídeos curtos por horas. A grande virada de chave é que todo o conteúdo é gerado pelo novíssimo modelo de IA da OpenAI, o Sora 2.

Criar seu próprio vídeo de 10 segundos é assustadoramente simples. Basta abrir o aplicativo e escrever um comando (um “prompt”) descrevendo o que você quer ver.

Pode ser algo como “um astronauta surfando em um mar de queijo na lua” ou “um clipe de filme antigo em preto e branco mostrando dinossauros em Paris”. Em instantes, a IA transforma suas palavras em um vídeo.

Mas a OpenAI foi além. O aplicativo conta com um recurso chamado “Cameo”, que permite que você insira o rosto de pessoas reais nos vídeos gerados.

Você pode criar um vídeo de si mesmo como um super-herói ou colocar um amigo em uma cena de comédia. É aqui que a diversão começa, mas também onde moram os maiores perigos.

Um sucesso estrondoso: superando o ChatGPT

Para se ter uma ideia do tamanho do sucesso, vamos aos números. Segundo Bill Peebles, o chefe do projeto Sora na OpenAI, o aplicativo atingiu a marca de 1 milhão de downloads em menos de cinco dias. Ele fez questão de ressaltar que isso foi “ainda mais rápido que o ChatGPT”.

O feito é ainda mais notável por duas razões principais:

  1. É exclusivo para convidados: Diferente do ChatGPT, que foi lançado publicamente, você precisa de um convite para conseguir usar o Sora. Isso cria uma barreira de entrada, mas mesmo assim a curiosidade foi gigantesca.
  2. Lançamento limitado: O aplicativo só está disponível, por enquanto, nos Estados Unidos e no Canadá, e apenas para iOS.

Mesmo com todas essas restrições, o Sora disparou para o topo dos aplicativos mais baixados na App Store, superando gigantes estabelecidos. Isso mostra o imenso apetite do público por novas formas de criação e entretenimento baseadas em IA.

O lado sombrio: copyright, deepfakes e polêmicas

Como era de se esperar, uma ferramenta tão poderosa não demorou a mostrar seu lado problemático. Com poucas barreiras de controle iniciais, a internet foi inundada por criações que acenderam múltiplos sinais de alerta.

A invasão dos personagens famosos

Uma das primeiras coisas que os usuários fizeram foi testar os limites da IA pedindo vídeos de personagens famosos e protegidos por direitos autorais.

Em questão de horas, o feed do Sora estava cheio de vídeos do Pikachu em situações bizarras, personagens da Disney em cenários inesperados e outras infrações claras de copyright.

Isso levantou imediatamente a questão: com quais dados a OpenAI treinou seu modelo de IA para que ele conhecesse esses personagens com tantos detalhes? A indústria do entretenimento, compreensivelmente, não gostou nada disso.

O problema dos deepfakes

O recurso “Cameo” rapidamente se tornou uma fábrica de deepfakes. Vídeos do próprio CEO da OpenAI, Sam Altman, começaram a pipocar. Mas a situação ficou mais séria e desconfortável quando usuários começaram a criar deepfakes de celebridades falecidas.

Zelda Williams, filha do falecido ator Robin Williams, veio a público pedir que as pessoas parassem de enviar a ela vídeos gerados por IA de seu pai, destacando a dor que essa tecnologia pode causar.

A resposta da OpenAI

Diante da enxurrada de críticas, a OpenAI teve que agir rápido. A empresa já atualizou o Sora para dar aos usuários mais controle sobre como sua imagem pode ser usada no recurso “Cameo”.

Além disso, Sam Altman prometeu que em breve os detentores de direitos autorais (como a Nintendo, dona do Pikachu) também terão ferramentas para “especificar como seus personagens podem ser usados (incluindo a opção de não serem usados de forma alguma)”. A grande questão que fica é por que esses controles não estavam disponíveis desde o primeiro dia.

O Sora é, sem dúvida, um marco tecnológico. Ele democratiza a criação de vídeos de uma forma que era impensável há poucos anos. No entanto, ele também abre uma caixa de Pandora de desafios éticos e legais.

O sucesso estrondoso de seu lançamento prova que o mundo está ansioso por essa tecnologia, mas também mostra o quão urgente é a necessidade de regulamentação e responsabilidade.

O desafio da OpenAI agora é conseguir equilibrar o crescimento explosivo com a moderação de conteúdo, uma tarefa que promete ser tão complexa quanto a própria IA que eles criaram.

Professor de matemática desde 2017, ou seja, números, estatísticas e gráficos são meu forte. Ganhei meu primeiro computador em 2005, comprado com muito suor pelos meus pais. Desde então, nunca mais saí do mundo digital. Comprei meu primeiro PC Gamer em 2015, um AMD FX 6300 + RX 460 4GB e foi aí que comecei a me aprofundar no mundo da tecnologia. Depois de anos estudando, tenho grande conhecimento na área de smartphones, computadores, inteligência artificial e tudo que envolve tecnologia.

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